SUICÍDIO

MÉDICO:

Um momento de

desespero fugaz

Autor: Dr. Luiz Fernando dos Reis Falcão
  • Estilo cognitivo: foi identificado que 61% dos médicos acreditam que o suicídio seria uma opção racional diante de certas circunstâncias⁴.

  • Fatores psicossociais: insatisfação com a carreira, tensão com o excesso de demanda e conflito com a profissão devido a alta responsabilidade. Este último com maior agravo na medicina contemporânea devido excesso de informação, questionamento dos pacientes, necessidade de educação continuada, perda do status social, redução do salário e competição com profissionais não médicos. Como consequência, 60% dos profissionais em algum momento consideraram deixar a medicina³.

  • Estilo de personalidade do médico: as características de personalidades dos médicos têm sido descritas como obsessivo compulsiva, distímicos, orientada a alcançar o objetivo, consciente, introvertido e ansioso, assim como de auto culpa e sensível. Médicos sob risco de suicídio foram identificados por evitar solicitar ajuda, enfatizar em excesso a identidade profissional, excessivamente autossuficientes, tendendo a negar a angústia pessoal e o desconforto psicológico. Portanto, apesar de existir controvérsia na literatura da real prevalência do suicídio na população médica, aparentemente as mulheres médicas apresentam maior suscetibilidade quando comparada a população geral. Sendo que este fato está relacionado com fatores de desordem psicológica, cognitiva, psicossociais e da própria personalidade. Nós, médicos, devemos estar conscientes de nós mesmos e de todos os fatores envolvidos. Em muitos casos, o impulso do suicídio é um fenômeno temporário, que irá passar. Devemos estar alertas para não nos perdermos em um momento de desespero fugaz.

Todos os médicos devem ficar atentos ao assunto suicídio. Este é um tópico que parece prevalecer no meio médico quando comparado a população em geral. Apesar da prevalência variar na literatura, desde de 1971¹ a maioria dos estudos indicam uma alta taxa de suicídio entre os médicos. Estudo publicado em 2005 no JAMA (Jornal da Associação Médica Americana) por Hampton e colaboradores², foram revisados todos os trabalhos publicados nos últimos 40 anos e concluíram que a prevalência de suicídio é 70% maior nos médicos e 250 a 400% maior nas médicas quando comparados a população geral. As mulheres são as mais suscetíveis devido a fatores como: humor, uso de drogas e álcool, fatores psicossociais e cognitivos, além de características particulares da personalidade.

Apesar dos fatores que contribuem para o suicídio também apresentarem divergência na literatura, alguns foram identificados:

  • Desordem do eu: associados às desordens mentais. Aproximadamente dois terços dos médicos apresentam Burnout, sendo que grande parte do terceiro terço restante apresenta depressão³. Foi identificado que a maioria dos médicos que cometeram suicídio não faziam acompanhamento psiquiátrico.

Você sabia?

O índice de suicídios entre as médicas é de até 400% maior que na população em geral

Baseado no artigo: 

Physician Suicide A Fleeting Moment of Despair Randy A. Sansone, MD and Lori A. Sansone, MD  encontrado em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2719447.

Referências bibliográficas:

¹ Ross M. Suicide among physicians. Psychiatry Med. 1971;2:189–198.

² Hampton T. Experts address risk of physician suicide. JAMA. 2005;294:1189–1191.

³ American College of Physician Executives. Physician Morale Survey. Accessed on July 29, 2008 at: http://www.acpe.org/Education/Surveys/Morale/morale.htm, 2006.

⁴ Duberstein PR, Conwell Y, Cox C, et al. Attitudes toward self determined death: a survey of primary care physicians. J Am Geriatr Soc. 1995;43:395–400.

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