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Anestesista do Interior

Ah o interior! O interior e sua vida mais lenta, silenciosa e tranquila. Neste país imenso em que vivemos ainda existem muitos lugares assim. Mesmo com a internet e a difusão dos smartphones, o interior ainda guarda seu estilo de vida e seu charme. Existem cidades grandes no interior também, mas eu estou me referindo às cidades pequeninas. Aquelas onde o tempo parece passar mais devagar.

 

Ser médico no interior tem suas particularidades. Ser médico anestesista então! Muito diferente.

Vamos dar uma olhada nisso...

 

Os serviços de residência, em sua maioria localizados nas capitais e cidades maiores treinam os anestesiologistas em situações de grande complexidade. Não está errado. Quanto mais o anestesiologista residente conhece e aprende, melhor, isto é óbvio. Cirurgia cardíaca, neurocirurgia, procedimentos minimamente invasivos, radiológicos, transplantes e assim vai.

Mas o que acontece com a grande maioria dos anestesiologistas recém formados é irem trabalhar no interior? Tudo bem diferente. Outras rotinas. Outras cirurgias.

 

Nas cidades menores o anestesiologista vai se deparar com situações bem peculiares e que estão bem distantes daquele tipo de serviço em que ele foi formado. Saem as grandes cirurgias e suas monitorizações super complexas, entra basicamente a cesárea e a colecistectomia (aberta por favor!). Sai a neurocirurgia com paciente desperto, entra a hérnia inguinal e a postectomia.

 

Isso assusta no começo. Muitos não se adaptam a esta vida simples e acabam voltando para a cidade grande. Mas muitos, muitos continuam. 

A vida no interior e nos pequenos hospitais é feita de homens e mulheres, médicos e médicas corajosos que enfrentam grandes dificuldades para conseguir o que na cidade grande é comum. Um capnógrafo funcionando vira um luxo. Propofol é coisa meio recente em alguns lugares. “Dexmedetomidina? Nunca vi, só ouço falar.” 

Ainda assim os pacientes são bem cuidados e recebem o melhor. O melhor que é possível. As dificuldades desse meio passam por administradores hospitalares que acham que anestesista é só aquele que faz a pessoa dormir e acordar. Que a ciência não evolui. Que usar drogas com menos efeitos colaterais é frescura. Coisa de cidade grande. Coisa de rico. Isso num primeiro momento perturba e cansa (sobretudo cansa). Mas há aqueles que não desistem.

 

CONDIÇÕES

Isoflurano, Atracurio, Succinilcolina, ainda são muito usados. São drogas mais baratas. O anestesiologista aprende a usá-las bem depois daquele choque inicial do fim da residência. Ropivacaína?  Ropi quem? Bis? Aquele chocolate?

Isto exige paciência e dedicação também. O anestesista do interior aprende e “pega a mão” neste cenário. Acaba se virando com o que tem de forma a sempre garantir segurança e o melhor cuidado àquela pessoa sob seus cuidados.

Ainda existem muitos anestesistas práticos, aqueles que já estão formados há muito tempo e que acham que os “meninos(as)” recém-chegados têm muito que aprender. E é verdade!  Afinal de contas o aprendizado não termina nunca.

 

A remuneração no interior, na maioria das vezes, não é tão boa quanto em cidades maiores/capitais. Mas há algo que ajuda muito: qualidade de vida. Tempo para ter tempo. Almoçar em casa. Acompanhar os filhos crescendo. Quem não acha isso importante? Conhecer quase todo mundo. As características de determinada população. Isto ajuda demais no dia-dia. Parece bobagem, mas não é. É onde está assentada a boa medicina. Conhecer seus pacientes e suas idiossincrasias é valioso demais para todo bom médico.

 

Hoje a informação trafega numa velocidade jamais imaginada algumas gerações atrás. É possível sim ser um bom anestesista no interior e mesmo assim estar sabendo das últimas novidades e trabalhos científicos. Basta querer saber. Ir nos congressos, conversar com os amigos e colegas. Todo mundo pode fazer. Retornar para sua cidade e ver que engarrafamento é quando tem pouco mais de 5 carros em fila. Que o ar é mais puro e que não há tanto barulho.

 

Claro que os robôs operando vão demorar um pouco mais para chegar pelas bandas do interior, assim como as drogas e monitores melhores e mais precisos. Mas a boa medicina, a boa anestesiologia já está no sítio, há um bom tempo.

 

Leia também: A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo

 

 

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17 Aug 2018

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