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Anestesia opioid free – Técnica da anestesia geral

A anestesia livre de opioides ou opioide free, é uma técnica em que os opioides não são utilizados por qualquer via durante a anestesia, evitando também opioides durante todo o período perioperatório.

Com isso, existem várias razões para evitar-se o uso dessas drogas devido seus efeitos colaterais, sendo a depressão respiratória, náuseas, vômitos, íleo paralítico, retenção urinária, adição e hiperalgesia. Recentemente, estudos também sugerem um prejuízo no processo de cicatrização, imunossupressão e desfechos oncológicos desfavoráveis com o uso de opioides sistêmicos.

O anestesiologista Dr. Mulier, popularizou a técnica opioid free nos pacientes submetidos a gastroplastia videolaparoscópicas. Além da ausência dessa droga no procedimento, existe a necessidade do uso da técnica de bloqueio neuromuscular profundo induzido pelo rocurônio, e mantido até o final da cirurgia sendo posteriormente revertido com o sugamadex.

O Dr. Luiz Fernando Falcão (CRM-SP 128938), médico anestesista, professor e chefe do Serviço de Anestesia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), traz a novidade da Bélgica, onde esteve em maio, quando foi se aperfeiçoar no serviço de anestesia do hospital AZ Sint-Jan, em Bruges, referência mundial em cirurgia de obesidade.


Confira entrevista com o Dr. Falcão sobre a técnica opioid free.

O que é a técnica opioid free?

Anestesia opioid free é uma técnica da anestesia geral, ao qual realizamos uma abordagem multimodal que permite a redução, ou até mesmo a retirada, do opioide no intraoperatório.


Quais são seus benefícios?

Os benefícios são diversos. Sabidamente os opioides causam uma série de efeitos colaterais, tais como: depressão respiratória, hiperalgesia, náusea e vômito, prurido, retenção urinária, ílio paralítico, entre outros. O objeto é reduzir estes efeitos colaterais pela redução ou retirada dos opioides. Esta técnica é especialmente benéfica nos pacientes obesos que apresentam apneia do sono. O uso do opioide no perioperatório pode agravar o quadro de apneia do sono, retardando a recuperação pós-operatória.

Quais os pontos negativos?

O principal ponto negativo é o intenso bloqueio simpático que pode vir acompanhado de hipotensão no intraoperatório. Desta forma é necessário estar atento. Esta hipotensão é facilmente corrigida com efedrina ou metaraminol.

Quais as indicações de uso?

A redução do opioide está bem indicada nos pacientes que se deseja uma recuperação rápida no pós-operatório. Esta técnica está alinhada com os principais protocolos fast-track, como por exemplo o ERAS. Uma indicação particularmente importante são os pacientes obesos com síndrome de apneia do sono.


Como você faz?

A redução e/ou retirada do opioide é possível quando se realiza uma estratégia multimodal. O controle da dor e do bloqueio simpático são realizados com uso de alfa-2 agonista (dexmedetomidina), lidocaína e sulfato de magnésio. Adicionalmente utilizamos uma solução analgésica no pós-operatória com lidocaína, sulfato de magnésio e clonidina.

Qual sua opinião sobre essa técnica?

Particularmente realizo esta técnica para as cirurgias bariátricas e cirurgias de grande porte onde desejamos recuperação precoce (laparotomias, esofagectomia, etc). Até o momento tem se mostrado muito promissora e com excelentes resultados. Ainda carecemos de estudos clínicos que mostrem o real benefício. Acredito que a verdade esteja no meio do caminho. Devemos praticar a redução do opioide utilizando estratégias multimodais. Ainda precisamos de estudos para saber se a retirada completa do opioide é benéfica.


Leia também: "Em busca da excelência".



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