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Sou médico, e agora?

Educação continuada em Medicina e cursos para obtenção de títulos, como Título Superior de Anestesia (TSA), podem suprir carência do Ensino Superior em Medicina e das residências médicas no Brasil?

 

Após consulta ao Ministério da Saúde, neste mês, o Ministério da Educação (MEC) autorizou a abertura de 11 novos cursos de Medicina no Brasil. A justificativa do ministro da Educação, Mendonça Filho, é que há sempre uma demanda dos estados para formação médica se interiorize, e haja médicos formados nas mais distantes regiões do Brasil. “Temos uma grande e importante tradição na formação médica brasileira, nos grandes centros urbanos, faculdades reconhecidas, mas boa parte do Brasil mais distante se ressente do acesso à saúde e da formação de médicos", disse o ministro em entrevista.

Segundo artigo publicado no Portal do Conselho Federal de Medicina, o Brasil tem mais faculdades de Medicina do que Estados Unidos e China, perdendo apenas para a Índia. Será que mais médicos significa Medicina com mais qualidade?

“O que ocorre atualmente é a abertura de um número descomunal de faculdades de Medicina que fornecem formação questionável e, pior ainda, muitas residências médicas que foram abertas pelo MEC sem critérios ou fiscalização”, afirma o diretor do Portal Anestesia, Dr. Eduardo Piccinini. Para ele, sem a qualidade desse ensino, que é essencial desde a base da formação médica, a formação de médicos generalistas e especialistas fica praticamente sem controle e gera maus profissionais.

Essa lacuna na qualidade do ensino superior em Medicina e das residências médicas vem sendo preenchida em parte por cursos de educação médica continuada e preparatórios para provas de títulos. Para o Dr. Piccinini, muitos dos profissionais que procuram essa forma de conhecimento reconhecem que essa atualização resulta em melhores condutas. E com as novas tecnologias de ensino e métodos de aprendizagem, os médicos têm a seu dispor plataformas de ensino on-line que permitem o acesso por computadores, smartphones e tablets a qualquer hora do dia. “Ficou mais fácil o acesso, mesmo durante os raros intervalos de descanso dos plantões”, comenta o Dr. Piccinini.

Apenas esse acesso facilitado não é suficiente, no entanto. “O conteúdo deve ser completo e atualizado e fornecido da forma mais ágil e dinâmica possível. A interatividade entre alunos e professores também deve ser ampla e fácil, esclarecendo as dúvidas e fomentando o interesse do aluno”, afirma o Dr. Piccinini. Para ele, com o rápido desenvolvimento tecnológico, haverá em breve mais formas de ensino e aprendizagem que fortalecerão a formação e o atendimento de excelência ao paciente, elevando de forma significativa o nível dos médicos.

Segundo o Dr. Piccinini, o mercado de trabalho vem, cada vez mais, implantando políticas de qualidade e, em alguns hospitais e cooperativas médicas, os profissionais médicos só podem se credenciar e atender se forem portadores do título de especialista. Na Anestesiologia, para se obter esse título, o Título de Especialista em Anestesiologia (TEA), deve-se fazer uma residência reconhecida pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) ou cursar uma residência reconhecida pelo MEC e, após a conclusão, realizar a prova de título. “Já o Título Superior de Anestesiologista (TSA) não é uma obrigatoriedade, mas em alguns serviços ele é valorizado com posições hierárquicas superiores ou gratificação diferenciada”, afirma.

 

Base na faculdade e na residência

Apesar do ganho indiscutível e até imprescindível em conhecimento e prática que os médicos obtêm com a educação continuada, esses cursos devem ser formas de atualização e reciclagem, mas nunca de formação médica, diz o Dr. Eduardo Piccinini. “A formação tem que vir de uma boa base fornecida pela graduação e uma prática consistente na residência médica. Assim como aconteceu com o Direito no Brasil, o CFM deveria instituir uma prova para exercer a Medicina”, declara.

Em São Paulo, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) realiza o exame de proficiência que, naquele estado, é obrigatório. Em 2016, dos 2.411 participantes, 56,4% (1.511) não alcançaram a nota mínima porque só acertaram menos de 60% das 120 questões da prova.

Apesar da obrigatoriedade do exame, quem é reprovado também pode obter o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e atuar como médico no estado, porque não há uma legislação específica, assim como ocorre com o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Segundo o Cremesp, muitos médicos recém- formados não conseguem dar um diagnóstico correto ou identificar sintomas de doenças comuns. “O MEC fechou dezenas de cursos de Direito e Medicina nos últimos anos, mas são necessárias medidas mais enérgicas para mudar esse quadro vergonhoso que mancha a educação superior”, diz o Dr. Piccinini.

 

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