BLOG

Uso racional da transfusão de sangue e de hemocomponentes

“É a incorporação do conhecimento à prática diária que coloca o profissional e a transfusão no Brasil no caminho certo.” Auristela Maciel Lins, doutora em Saúde Coletiva. 

 

No Dia Mundial do Doador de Sangue, vamos falar sobre o blood management ou uso do sangue voltado para o paciente. Será que todas as transfusões de sangue, todos os hemoderivados usados, são realmente necessários? Justificam os riscos que essa terapia não completamente segura, mas muitas vezes imprescindível, oferece?

 

 

Dado

No Brasil, a partir de sete dias na Terapia Intensiva, 50% dos pacientes serão submetidos a uma transfusão. Em 15 dias, 90%. Fonte: Risco e Segurança do Paciente (Enis Donizetti Silva e Claudia Marquez Simões, Fundação para Segurança do Paciente, 2016).

 

Em muitos casos, a transfusão salva vidas e só quem já passou por intercorrências em que o sangue – e o sangue certo – é necessário sabe o quanto é precioso e o quanto a doação deve ser incentivada.

 

Esse assunto foi discutido no painel Situações de Crise na Anestesia e Cirurgia com Ênfase na Hipóxia e no Sangramento, no Congresso Paulista de Anestesia de 2014. Na apresentação Estamos indicando transfusão... Qual a indicação mesmo?, Ludhmila Abrahão Hajjar falou da abordagem patient blood management, gerenciamento de sangue por paciente, que não é novidade, mas está longe de ser uma prática corrente no Brasil porque, segundo ela, precisamos de educação e capacitação individual, de grupos e de sociedades para que possamos avaliar a segurança e a eficácia da terapia transfusional. “Também é fundamental – e esse é um ponto que muitas vezes deixamos de lado –, discutir os efeitos adversos com o paciente ou responsável”, disse.

Segundo Ludhmila, que é diretora do Departamento de Pacientes Críticos e Coordenadora da UTI Cirúrgica do INCOR – FMUSP e coordenadora da UTI Cardiológica do Hospital Sírio-Libanês e da UTI Geral do ICESP – FMUSP, o patient blood management é uma abordagem norte-americana baseada em evidências para, por exemplo, avaliar e tratar a anemia, evitar a perda de sangue, manter a hemoglobina, evitar a hemostasia, utilizar a estratégia teranóstica, etc. Ou seja, uma transfusão que se baseia no indivíduo e suas características, como suas comorbidades, hemodinâmica, perfusão tecidual.

 

E o dia a dia? É possível essa personalização na realidade de uma saúde como a do Brasil? “Existem técnicas que podem diminuir a indicação de transfusões, porém são caras e não disponíveis em todos hospitais do SUS”, diz Gildo Nunes Silva Neto, residente de Anestesiologia no Complexo Hospitalar Municipal de São Bernardo do Campo. Ele afirma que teve treinamento breve durante a faculdade sobre uso racional das transfusões de sangue, treinamento que foi aprofundado na residência, a fim de evitar os potenciais efeitos colaterais do uso da transfusão, que variam de um prurido até reações sistêmicas que podem levar à morte. Mas a necessidade da transfusão ocorre e é preciso ter condições de realizá-la. “Não é possível ter a certeza de quando ocorrerá um evento adverso, mesmo num procedimento considerado simples, mas é preciso sempre se precaver. Por isso, existem protocolos definidos para a necessidade de reserva ou não de hemoderivados. A maior intercorrência é a própria perda sanguínea intraoperatória. Podem agravar e requerer novas transfusões intraoperatórias, pacientes já anêmicos prévios, com plaquetopenia ou outras discrasias sanguíneas”, diz.

 

Dado

“As principais causas de morte – e não só no Brasil – são as transfusões erradas, não somente por ABO, mas por outras incompatibilidades, e mais de 60% dos erros acontecem na hora da instalação do componente, seja porque existem muitos pedidos de transfusão em emergência – e raramente você precisa transfundir em emergência, quase sempre é possível manter o paciente aquecido, normovolêmico e esperar pelo menos 20 minutos para liberar uma transfusão com mais segurança, e não por erro laboratorial. Esse é um dos riscos transfusionais dos quais pouco se fala; muito se fala de imunomodulação, TRALI, entre outros, porém, uma das causas mais frequentes relacionadas a fatalidades ainda é a identificação incorreta dos pacientes.” Silvana Biagini, supervisora médica do Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês. 

 

 

 

 

 

 

Please reload

Newsletter

Cadastre seu e-mail para receber informações

e novidades

Posts Recentes

17 Aug 2018

Please reload

Arquivo
Please reload

Siga
  • Facebook - Black Circle
  • Instagram - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
Logo Portal Anestesia

Ligue para nós

(11) 4902-3252

(11) 99843-8977

  • Facebook - White Circle
  • Instagram - White Circle
  • YouTube - Círculo Branco
  • Spotify - Círculo Branco

© 2019 MedMkt Treinamento