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Interface do "Outubro Rosa" e Anestesia

 


    Este mês é dedicado ao movimento mundial "Outubro Rosa", que visa chamar atenção, diretamente, para a realidade atual do câncer de mama e a importância do diagnóstico precoce. O câncer de mama ainda é a forma mais comum de câncer entre as mulheres, ocupando o primeiro lugar em incidência nas regiões Nordeste, Sul e Sudoeste do Brasil. Este é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres em todo o mundo, tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos, sendo a maior causa de morte nas mulheres, com cerca de 520 mil mortes estimadas por ano no mundo.


    Em muitos casos o tratamento definitivo é cirúrgico, com a realização da mastectomia radical ou parcial acompanhada ou não do esvaziamento axilar. Desta forma, devemos estar preparados para promover uma correta anestesia acompanhada de adequada analgesia no pós-operatório. Com esta finalidade têm se associado anestesia regional à anestesia geral. O bloqueio paravertebral foi técnica de anestesia regional amplamente difundida para analgesia pós-operatória de cirurgias de mama. Já foi aventada a hipótese que sua realização poderia influenciar na redução da recorrência do câncer, porém em recente estudo publicado em 2016 demonstrou que esta hipótese não é válida[1]. Além disso, esta técnica é parcialmente eficaz para analgesia no pós-operatório da parede anterior do tórax, uma vez que a inervação não é exclusiva dos nervos espinhais torácicos, mas também do plexo braquial via nervos peitorais medial e lateral. Entretanto, a analgesia pode ser potencializada quando associado a dexmedetomidina, demonstrando menor uso de opióide e menor incidência de náusea e vômito no pós-operatório[2]. Todavia, o bloqueio paravertebral é de difícil realização, com risco de pneumotórax e punção inadvertida do canal vertebral, com consequente lesão medular.


    Com o advento do ultrassom na prática clínica do anestesiologista, novos bloqueios da parede torácica para boa analgesia no pós-operatório têm se tornado cada vez mais frequente. Bloqueios como PEC I[3], PEC II[4] e serrátil[5] são de mais fácil execução que o bloqueio paravertebral, com menor índice de complicações e melhor analgesia da parede torácica (Figura 1 e 2).

                         Figura 1. Região sensitiva do bloqueio PEC II.

 

 

 

                             Figura 2. Região sensitiva do bloqueio serrátil.  

 

    A depender do território a ser operado, os bloqueios PEC I/PEC II e serrátil podem ser escolhidos separadamente ou em conjunto.

 

    PEC I: apropriado para cirurgias limitadas ao peitoral maior. 10 mL de anestésico local é injetado entre o peitoral maior e o menor a nível da terceira costela para bloquear os nervos peitorais maior e menor (Figura 3A).


    PEC II: apropriado para cirurgias mais extensas, como mastectomia e ressecções tumorais. Deve ser realizado inicialmente o PEC I com injeção de 10 mL de anestésico local entre o peitoral maior e menor. Em seguida, é feito a injeção de 20 mL entre o músculo peitoral menor e serrátil anterior à nível da terceiro costela (Figura 3B). 


    Serrátil: este é um bloqueio ideal para reconstrução utilizando o latíssimo do dorso. É realizado com uma injeção única de anestésico local entre o latíssimo do dorso e o músculo serrátil anterior no nível do quinto espaço intercostal na linha axilar média (Figura 3C).

                    Figura 3. Posicionamento do transdutor do US e do posicionamento da                             agulha nos bloqueios PEC I (3A), PEC II (3B) e serrátil (3C).


    Desta forma, atualmente existem diversas opções para adequada assistência da paciente submetida a cirurgia de mama, de sorte a promover boa analgesia no pós-operatório, reduzindo o sofrimento com alta qualidade no atendimento.

 

 

 

 

 

1.    Cata, J.P., et al., The Impact of Paravertebral Block Analgesia on Breast Cancer Survival After Surgery. Reg Anesth Pain Med, 2016.


2.    Mohta, M., et al., Efficacy of dexmedetomidine as an adjuvant in paravertebral block in breast cancer surgery. J Anesth, 2016. 30(2): p. 252-60.


3.    Blanco, R., The 'pecs block': a novel technique for providing analgesia after breast surgery. Anaesthesia, 2011. 66(9): p. 847-8.


4.    Blanco, R., M. Fajardo, and T. Parras Maldonado, Ultrasound description of Pecs II (modified Pecs I): a novel approach to breast surgery. Rev Esp Anestesiol Reanim, 2012. 59(9): p. 470-5.


5.    Blanco, R., et al., Serratus plane block: a novel ultrasound-guided thoracic wall nerve block. Anaesthesia, 2013. 68(11): p. 1107-13.


 

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