Os cuidados que

devemos ter

com as crianças no

PRÉ-OPERATÓRIO

Autor: Dra. Marília Camelo

Já tive oportunidade de anestesiar algumas crianças, para pequenos procedimentos cirúrgicos, como postectomias(cirurgia pra corrigir fimose) e hernioplastias (Cirurgia para corrigir hérnia). Lembro que, uma das coisas que mais me chamou atenção nos primeiros contatos com as crianças no centro cirúrgico, foi a recepção diferenciada a elas. Os anestesiologistas sempre são chamados para recepciona-las na porta do centro cirúrgico e, a grande maioria, como é de se esperar, está assustada com aquele ambiente completamente diferente da sua realidade.

 

Uma característica fácil de perceber é que crianças cujos pais ou acompanhantes passam serenidade e tranquilidade aceitam mais a separação momentânea de seus familiares e entram, sem muitos problemas, no mundo novo e diferente do centro cirúrgico. Em contrapartida, aquelas que chegam permeadas pela apreensão dos pais, custam a aceitar a entrar sozinhas no centro cirúrgico e são, geralmente, mais difíceis de conter durante o ato anestésico. Posso falar isso com a propriedade, não apenas de quem vivencia isso semanalmente no papel de médica e residente de anestesiologia, mas também por quem vivenciou isso na pele de uma criança de 3 anos.

 

Com essa idade, fui submetida a única cirurgia da minha vida, uma adenoamigdalectomia (crurgia que tira adenoide e amígdalas). Lembro de pouquíssimas coisas dessa época, mas tenho lembranças da minha entrada no centro cirúrgico, acompanhada por minha tia, médica pediatra. Talvez a companhia dela, a segurança e a tranquilidade que me transmitia naquele momento, tenha me permitido ficar mais à vontade naquele ambiente tão diferente. E, só para deixar registrado, a última lembrança que tenho desse dia é de uma pessoa (provavelmente a anestesiologista) colocando uma máscara no meu rosto e dizendo que eu iria sentir o cheiro de “perfuminho”.

Pensando nisso, um trabalho feito por pesquisadores da Universidade de Lion, na França, apresentado no último Congresso Mundial de Anestesiologia, realizado em Hong Kong, entre 28 de agosto e 2 de setembro, - para ver noticia clique aqui - mostrou o uso de iPads como redutores dos níveis de ansiedade pré-cirúrgicos em crianças. Aparentemente, o tablet pode agir como uma força calmante antes de cirurgia para crianças com idades entre 4 e 10 anos.  Eles comparam o efeito do midazolam em 54 crianças (administrado oralmente ou via retal), com outras 58 crianças que foram distraídas com jogos apropriados para suas idades em um iPad, 20 minutos antes da anestesia e viram que há uma igualdade na redução da ansiedade pré-anestésica para ambos os grupos estudados.

Uma outra maneira, também com uso de tablet, encontrada pela sociedade de anestesiologistas de Portugal foi desenvolver uma animação para explicar o que é a anestesiologia para as crianças.

 Vale a pena dar uma olhada no vídeo e quem sabe, implantá-lo – ou adotar a ideia – como rotina pré-anestésica em seus serviços.

Combater a ansiedade e o medo desses pequenos pacientes não é tarefa fácil. Dessa forma, devemos buscar maneiras para ajuda-los a encarar esses anseios sem grandes dramas, para que a ida ao centro cirúrgico não se torne um calvário para as crianças e para seus pais. Uma boa conversa e um bom esclarecimento dos profissionais de saúde com os pais (e com as crianças também), pode ajudar na redução da ansiedade nesse grupo de pacientes. Esse passo é primordial antes de qualquer intervenção cirúrgica ou clínica.

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