MEDO E

EVOLUÇÃO

Autor: Dr. Carlos Eduardo Martins

O medo é algo que nos acompanha desde tempos imemoriais. Está no DNA da nossa espécie. O medo nos fez evoluir. Alertou nossos ancestrais para os perigos do mundo primitivo, para que protegessem sua prole e dessem continuidade na grande caminhada humana aqui neste planeta.

O medo se manifesta intensamente. Ficamos taquicárdicos, ofegantes, suamos e ficamos prontos para a luta ou a fuga. O medo faz tudo isso. Às vezes é mais sutil que isto. Ele nos mantém alertas para perigos reais e/ou nem tanto assim. O medo pode virar doença e fugir do controle também.

Os budistas dizem que o medo ocorre pelo nosso apego. Uma forma mais complexa deste antigo sentimento. Temos medo de perder o que temos, de perder aqueles que amamos, aquilo que somos e que nos define na vida. Para nós, medo e perda andam de mãos dadas.

O fato é que desde que chegamos aqui, desde o nascimento, somos acompanhados pelo medo.

Nós médicos estamos expostos constantemente ao medo. Tanto o dos nossos pacientes quanto o nosso próprio. Os pacientes têm medo de nós. Muitas vezes. Medo de agulha, de ficar internado, de sentir dor, de sofrer, de não se curar, de morrer.

Nós tememos a falha, o erro, o “não dar conta”. Medicina e medo também andam de mãos dadas. É uma profissão muito exigente. Médicos em geral são treinados para serem exigentes, consigo e com aqueles que trabalham com eles. Somos treinados para evitar ao máximo que o paciente sofra, para que não sinta dor, para que o paciente não vomite, não tenha febre e volte para casa com sua saúde restaurada.

Aprendemos a lidar com tudo isso. O estudo e os anos de prática nos moldam de forma que parecemos nem sentir mais medo. Mas sentimos. E como!

Ainda lembro da primeira raqui que fiz em um paciente. Eu estava com muito medo! Mas eu havia aprendido, lido a respeito, estava com o preceptor (professor) ao meu lado. Deu tudo certo. O medo foi contornado. “Levante as pernas dona Maria...” Nada, a raqui pegou. Uma bela sensação de poder e dever cumprido.

Aprender a conviver com isso é fundamental para todo médico. Isto está intimamente ligado às nossas limitações. Somos humanos e nossas mãos fazem o possível e, às vezes, o que parece ser impossível para que o paciente fique bem ou o melhor de acordo com a situação.

A partir do momento do juramento solene na nossa formatura passamos a travar esta batalha. A batalha da própria humanidade contra a finitude inevitável. Somos aquele soldado que segura o escudo diante dos turbilhões que envolvem a doença, a dor e, como dissemos até aqui, o próprio medo.

Para isto e por isto temos que estar em uma guarda constante. Temos que ter sanidade para isto. Temos que estudar e aprender constantemente. Temos que meditar. Temos que nos exercitar, nos alimentar bem e tentar seguir as orientações que nós mesmos damos aos nossos pacientes.

O medo acaba nos impulsionando para frente. O medo nos fez sim evoluir!  Mas não podemos ser dele vítimas indefesas e devemos saber utilizá-lo ao nosso favor.

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