BURNOUT:

A síndrome do

século XXI

Autor: Equipe Portal Anestesia

Burnout é um termo psicológico que se refere à exaustão prolongada e queda no interesse no trabalho. Ocorre em indivíduos que não tiveram nenhuma psicopatologia preexistente e comumente é encontrada em profissões que demandam doação e cuidado.

O termo burnout, em psicologia, foi criado por Herbert Freudenberger em artigo de 1974, intitulado Staff burnout, presumivelmente baseado no romance A burnt-out case, de Graham Greene, publicado em 1960 e que descreve um protagonista que, sofrendo de exaustão, deixa seu trabalho e se aventura na floresta africana.

A síndrome de burnout é um estado de ser, no qual os indivíduos são incapazes de lidar com as demandas do ambiente de trabalho, possuem um sentimento de falta de energia e perda de interesse no resultado de seus trabalhos. A capacidade individual do profissional em lidar com o estresse, irá definir sua probabilidade de “adquirir” o estado de burnout.

A avaliação mais amplamente aceita para quantificar o burnout é o Maslach Burnout Inventory, desenvolvido por Maslach e Jackson em 1981. Eles definiram a síndrome de burnout como tendo três dimensões: exaustão emocional, despersonificação e sentimento de falta de realização pessoal.

  • Exaustão emocional é o componente central desta síndrome e, para fins práticos, o termo burnout é sinônimo de experiência de exaustão.

  • Despersonificação é a tentativa de colocar distância entre o indivíduo e o serviço, ignorando ativamente as qualidades que o fazem pessoas únicas e engajadas. É caracterizada por uma atitude negativa e indiferente frente.

  • Sentimento de falta de realização pessoal aparece quando a eficiência é comprometida pela falta de capacidade adequada de lidar com a situação. O nível de burnout é definido pelo índice de exaustão emocional e despersonificação, além do baixo nível de realização pessoal.

Sintomas da síndrome de burnout incluem distúrbios na concentração e memória (perda de precisão, desorganização), perda de autonomia e mudanças na personalidade (perda no interesse, cinismo e agressividade). Distúrbios severos são compostos por ansiedade e depressão que pode culminar em suicídio. A presença de drogadição (álcool, medicamentos) também tem sido associada com burnout.

A tendência sobre abuso – álcool, drogas e medicações – pode afetar até 10% dos profissionais de saúde em algum momento de suas vidas, por conta do fácil acesso a medicações e o auto tratamento da dor, que aumentam o risco de vício.

Sintomas depressivos são frequentemente consequência da síndrome de burnout, com possível desfecho desastroso, como o suicídio. O acesso a drogas em combinação com estes sintomas pode explicar porque esta tragédia é mais prevalente entre profissionais da área da medicina do que em outros profissionais. Os sintomas somáticos comuns são cefaleia, distúrbios gastrintestinais ou distúrbios cardiovasculares, como taquicardia, arritmia e hipertonia.

Consequências sociais se manifestam como resultado do desgaste no local de trabalho, bem como problemas sexuais e isolamento social. Pela perspectiva social, há um risco aumentado para períodos de ausência do trabalho e invalidez precoce. Tudo isso coloca não só o indivíduo em risco, mas também todo seu meio de trabalho.

A síndrome de burnout em anestesistas está rapidamente se tornando um grande desafio, com prevalência considerada em torno de 20%-50% em todo o mundo. Burnout tem sido preferencialmente vista em profissões envolvidas com o cuidado humano. Os anestesiologistas, por condicionamento profissional, parecem ser um grupo vulnerável. Eles se sentem obrigados a atender a maioria das necessidades de assistência ao paciente no período perioperatório, raramente obtendo benefícios para si mesmos. As crescentes demandas de trabalho em face da gratidão não atendida dos pacientes, bem como dos colegas médicos, podem se manifestar como estresse e burnout entre os anestesistas.

Medidas gerais para melhorar a administração do estresse incluem:

  • aconselhamento e aprendizagem de técnicas de relaxamento;

  • delegação de responsabilidades (aprender a dizer não);

  • hobbies (esporte, cultura e natureza);

  • autocuidado (exercício, nutrição e medicação);

  • manter relacionamentos sociais estáveis, gastando tempo com a família e amigos;

  • profilaxia da frustração (reduzindo falsas expectativas).

 

Medidas no local de trabalho:

  • criação/manutenção de um ambiente“saudável”;

  • programação do tempo;

  • liderança baseada na comunicação;

  • valores, motivações e objetivos;

  • motivação e orientação para indivíduos aprenderem e aumentarem suas capacidades;

  • reconhecimento de performance – apreciação, programas de recompensa, dinheiro;

  • treinamento de administradores - papel chave do chefe em prevenção de burnout.

 

Estratégias de orientação pessoal:

  • realizar testes de aptidão antes do treinamento para o trabalho;

  • criar grupos de apoio, conduzindo programas específicos, acompanhando as pessoas do grupo de risco (ex.: grupos para médicos e professores);

  • manter ocupação adequada – monitoramento médico/psicológico (ex.: estabelecimento de check-up especial relacionado com o estresse no trabalho e detecção precoce do problema).

Referências Bibliográficas:

  1. Sociedade Brasileira de Anestesiologia - Bem-estar ocupacional em anestesiologia / Editor: Gastão F. Duval Neto. Brasília: CFM, 2013. 476 p.

  2. Serralheiro FC, Braga ALF, Garcia MLB, Grigio T, Martins LC. Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde. 2011;n 3, p 140–3. Acessado em 16 de Setembro, 2016 em: http://files.bvs.br/upload/S/1983-2451/2011/v36n3/a2657.pdf

  3. Autor desconhecido. Albert Einstein. Notícias de Saúde. Síndrome de Burnout. Acessado em 16 de setembro, 2016 em: http://www.einstein.br/estrutura/check-up/saude-bem-estar/saude-mental/sindrome-burnout

  4. Noronha H. Não tratada a Síndrome de Burnout pode levar a morte. 2011. Acessado em 16 de setembro, 2016 em: http://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2011/01/27/nao-tratada-sindrome-de-burnout-pode-levar-a-morte.htm

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