A vulnerabilidade

DO MÉDICO

frente ao

SUICÍDIO

Autor: Dra. Marília Camelo

O mês de setembro de 2016 foi marcado pela campanha de conscientização sobre o combate ao suicídio, o “setembro amarelo”.  Foi uma forma encontrada para mostrar à população que o número de mortes decorrentes de suicídio vem crescendo e é, além disso, uma maneira de chamar a atenção das autoridades para esse crescente número. Somos habituados a ver notícias de homicídios, genocídios e outras catástrofes que a espécie humana é capaz de fazer, no entanto, não nos apercebemos que muitas pessoas do nosso convívio diário (trabalho, escola, academia) estão tirando suas vidas, na nossa frente, e não enxergamos e quando o fazemos já foi tarde. 


Acredito que todos que estão lendo esse texto conheceram alguém – próximo ou não – que tenha tirado a própria vida. Meu propósito aqui não é julgar, sequer tentar entender o que leva essas pessoas a cometerem tal atitude, apenas quero discorrer com o assunto a fim de que possamos perceber os reais riscos que habitam nosso dia a dia e que podem levar uma pessoa, num momento de fragilidade, a suicidar-se.  Em julho desse ano, o jornal Folha de Pernambuco publicou uma matéria revelando um dado preocupante: um médico se suicida a cada mês no estado e, em sua maioria, todos apresentam perfis sociais semelhantes (estabilidade financeira, família constituída, carreira sólida). É sobre essa vulnerabilidade médica e o acesso facilitado às medicações de alto poder de dependência que pretendo discorrer brevemente nesse texto.

Como médicos anestesiologistas, lidamos diariamente com drogas potentes, de venda permitida apenas para uso hospitalar e que causam, muitas vezes, dependência. Ainda citando a reportagem que mencionei acima, podemos elencar a “exposição diária a situações de estresse, vivência direta com a morte e condições de trabalho precárias como alguns gatilhos para o ato. A competição e a ambição no campo profissional finalizam as características que transformam a profissão em arriscada para o suicídio”.  Difícil dizer exatamente o fator desencadeante, assim como, pouquíssimas vezes percebemos alguma mudança precoce de comportamento dessas pessoas no ambiente de trabalho.

Enquanto médica residente, felizmente nunca vivi situações de fragilidade a ponto de ver colegas dependentes de drogas anestésicas ou, até mesmo, pondo fim à vida. No entanto, deparo-me, sim, com situações de vulnerabilidade na residência médica, como esgotamento (burnout) e situações de menosprezo, como o bullying. Coisas que fragilizam o residente, já tão cobrados academicamente e profissionalmente e que podem ser gatilhos para tomadas de decisões mais drásticas.


Por tratar-se ainda de um tabu social, pessoas com pensamentos suicidas não procuram ajuda, talvez por medo do julgamento. E é justamente esse ponto que o “Setembro Amarelo” tenta combater, mostrar à sociedade que é possível prevenir os casos de suicídio, através da percepção precoce e da procura por ajuda daqueles que possuem tais pensamentos. Como médicos, nós, muitas vezes, tentamos resolver nossas morbidades por conta própria e é justamente aí que repousa o perigo. Falemos, procuremos ajuda, sejamos porta-vozes no combate contra o suicídio entre nossos comuns. 

 

Link para a reportagem da Folha de Pernambuco, do dia 30 de julho de 2016.

http://www.folhape.com.br/cotidiano/2016/7/um-medico-se-suicida-a-cada-mes-em-pernambuco-0549.html

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