A parceria entre

CIRURGIÃO e

ANESTESISTA

durante as

videolaparoscopias

Autor: Dr. Eduardo Piccinini

Historicamente, a relação entre cirurgiões e anestesistas sempre foi marcada pela rivalidade e pelas visões diferentes.

Com o advento da videolaparoscopia, ambos tiveram que buscar meios de entendimento, em prol do paciente e da própria convivência.

 

Os procedimentos videolaparoscópicos viraram rotina e podem oferecer bons resultados cirúrgicos, possibilitando uma recuperação mais rápida e com mais conforto para os pacientes.

Apesar dos melhores resultados após a cirurgia, a videolaparoscopia acarreta maiores alterações cardiorrespiratórias no intraoperatório, principalmente se altas pressões de insuflação forem utilizadas durante o pneumoperitônio. O cirurgião precisa de um campo cirúrgico amplo, e se não houver relaxamento abdominal adequado, serão necessárias pressões de insuflação maiores, algumas vezes até superiores a 15 mmHg, para melhorar a visualização.

Ocorrem ainda alterações cardiovasculares importantes devido a diminuição do retorno venoso e queda do débito cardíaco, que podem piorar dependendo da posição do paciente na mesa cirúrgica. O sistema respiratório também pode ser prejudicado, uma vez que o pneumoperitônio comprime o diafragma e, consequentemente, reduz a capacidade residual funcional, produzindo atelectasias e desequilíbrio da relação ventilação-perfusão pulmonar.

Bloqueio Neuromuscular Profundo

A técnica do bloqueio neuromuscular (BNM) profundo permite a diminuição do pneumoperitônio, melhorando significativamente os índices hemodinâmicos e respiratórios no perioperatório.

Mesmo com menores pressões de insuflação intra-abdominais, o cirurgião não perde a qualidade do campo cirúrgico e pode proceder com segurança e tranquilidade.

O BNM profundo está relacionado também com índices de dor, complicações respiratórias como atelectasias, e náuseas e vômitos no pós-operatório menores.

A redução nos índices de náuseas e vômitos é um indicador precioso em diversos aspectos, pois reduz as pressões nas anastomoses, não retarda a alta da sala de recuperação pós anestésica, e não provoca desconforto e insatisfação para o paciente. Portanto, satisfaz todos os envolvidos na cirurgia, principalmente o paciente.

O melhor conhecimento do BNM profundo e dos benefícios que ele oferece, assim como a possibilidade de uma reversão específica com o sugamadex, tornaram seu uso habitual.

A reversão rápida, segura e eficaz gera um despertar sem riscos de ocorrência de paralisia residual e efeitos colaterais indesejáveis, promovendo altas precoces da sala de recuperação pós-anestésica e hospitalar, sem intercorrências.

Desta forma, teremos uma perfeita sincronia entre os membros da equipe envolvida no procedimento. Os cirurgiões operando com um pneumoperitônio de baixa pressão e adequado campo cirúrgico, os anestesistas, lidando com menores repercussões cardiovasculares e respiratórias no perioperatório, e os pacientes tendo menos efeitos colaterais e alta hospitalar precoce.

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